Diretrizes de Sinalização

A sinalização de uma trilha tem como objetivo guiar o caminhante, facilitar ações de manejo, evitar processos erosivos, impedir a criação de atalhos, entre outros benefícios.
A escolha da seta foi baseada nos seguintes motivos:

    • É facilmente reconhecida por qualquer pessoa. A interpretação é universal;
    • É auto explicativa. Relaciona dois pontos, representa deslocamento, indica direção;
    • As linhas retas facilitam o corte do molde, exigindo menos capacitação dos voluntários para reproduzi-la em campo.

Assim, a sobreposição das iniciais de Mata Atlântica cria um layout em forma de seta simples e conciso. A letra M subtrai parte da letra A, representada por um triângulo, e formando a sinalização do Caminho da Mata Atlântica.
Esse padrão de sinalização foi escolhido em votação aberta na internet, a partir de diversas propostas de parceiros e trabalhadas por designers voluntários.

Aplicação:

  • Pintura rústica com estêncil
  • Pequenas placas metálicas ou em PVC
  • Fitas com o símbolo do Caminho
  • Placas direcionais, regulatórias, informativas, educacionais etc.

A partir de experiências nacionais e internacionais e de uma análise de custo benefício, optou-se pela utilização preferencial pela pintura rústica em troncos ou rochas – veja as perguntas frequentes sobre esse tipo.
E se o Caminho passar por trilhas que já contam com padrões próprios de sinalização?
Em comunicação e acordo com os gestores ou mantenedores dessas trilhas, pretende-se intercalar a sinalização oficial do projeto para marcar a sobreposição dos traçados, fortalecendo e divulgando também as iniciativas locais. Veja mais nas Diretrizes de Sinalização do CMA.

Perguntas frequentes sobre uso da pintura

Visando nivelar o entendimento entre todos os parceiros do projeto e orientar a escolha do tipo de sinalização, cabe esclarecer alguns questionamentos apresentados quanto ao uso da pintura rústica.

Por que utilizar preferencialmente a pintura rústica?

São muitas as trilhas de longo curso no mundo que utilizam a pintura rústica para sinalização, mesmo projetos com grande aporte de recursos em países desenvolvidos. A Appalachian Trail, as Grandes Routes europeias e outras trilhas pelo mundo utilizam a pintura, às vezes associada a outras técnicas de sinalização.

São diversas as vantagens observadas:

  • Valor acessível de produção
  • Disponibilidade dos materiais em qualquer lugar e facilidade de aquisição
  • Esforço necessário para deslocamento dos materiais para pontos remotos (material leve e não muito volumoso)
  • Facilidade de aplicação, permitindo que diversas pessoas sinalizem
  • Durabilidade, minimizando a necessidade de manutenção
  • Desestímulo ao vandalismo para utilização como lembrança da trilha.

Mesmo quando outras formas de sinalização são utilizadas, como totens ou plaquetas metálicas, é recomendável que se utilize a pintura rústica como sinalização complementar.

A pintura sobre troncos de árvores não causa dano à vegetação?

A casca do tronco das árvores é formada por tecido morto, com funções estruturais e de proteção dos tecidos mais internos. No tronco não há absorção dos elementos químicos que compõem a tinta. Ao preparar o tronco para aplicação deve-se tomar cuidado para remover apenas as camadas mais externas ou outros materiais aderidos a fim de tornar a superfície mais regular sem danificar a árvore. Naturalmente, fungos, líquens e outros seres aderidos serão afetados, mas isso pode ser minimizado por uma escolha criteriosa da árvore. Lembre que em árvores com muitos organismos fixados, provavelmente a seta pintada será coberta rapidamente por novos organismos.

Um fator a ser considerado é que a sinalização reduz significativamente o número de pessoas perdidas e de atalhos abertos, problemas que causam danos muito maiores à vegetação. Apenas o pisoteio de uma equipe de busca em uma área de floresta fechada por conta de uma única pessoa perdida certamente é um dano muitas vezes maior do que a sinalização de uma trilha inteira com pintura nas árvores. Se considerarmos que essas operações podem mobilizar pouso de helicóptero ou casos de pessoas perdidas que acendem fogueiras para facilitar a localização, o dano é ainda muitas vezes maior.

A pintura rústica polui visualmente e estimula pichações?

Toda e qualquer sinalização é uma interferência na paisagem natural e pode ser entendida como poluição visual. A sua função é ser percebida pelo usuário da trilha, sendo necessário que seja minimamente chamativa. Ao se definir o espaçamento e posição da sinalização devem ser consideradas as eventuais dificuldades de orientação na trilha. Trilhas utilizadas regularmente que não contam com nenhuma sinalização quase sempre recebem uma sinalização “espontânea” de frequentadores, como setas gravadas a faca nos troncos, setas irregulares ou outras marcas pintadas por usuários, entre outras. O uso de uma seta pintada com stencil, de formato regular e identidade visual específica, dificilmente será interpretado como uma pichação pelos usuários, reforçando a impressão de um lugar cuidado e desestimulando outras intervenções.

As tintas utilizadas na pintura não poluem o ambiente natural?

Qualquer material artificial levado para a trilha causará algum tipo de impacto. As fitas plásticas podem se soltar e ficarem no solo por longos anos ou serem ingeridas por animais, pregos podem oxidar e facilitar a entrada de patógenos nas árvores etc.

As tintas geralmente utilizadas são compostas de um polímero (onde está o pigmento) e de um solvente, além de eventualmente ter outros componentes, como fixadores. No caso da tinta spray há também o gás propelente.

Se utilizada corretamente, a tinta se fixará apenas no tronco das árvores ou na rocha, que são materiais mortos, não causando dano. Deve se tomar cuidado para evitar contaminação do solo e de corpos d’água, onde a tinta pode realmente ser prejudicial ao ser ingerida por outros organismos. Ao aplicar a tinta spray mantenha a lata a uma distância adequada para evitar o desperdício de tinta e reduzir sua dispersão pelo ar. Procure usar máscara e não lave as mãos ou materiais com tinta em cursos d’água naturais.